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Blog do Paulão
 


O debate sobre a capitalização da Petrobras

Por Paulo Cezar

Transcrição de um debate que aconteceu aqui no Nassif num post sobre a queda das ações da Petrobras.

Uma visão mais liberal e outra mais desenvolvimentista sobre o contexto da estatal.

http://www.advivo.com.br/node/222983

André Araujo

Nos ultimos noventa dias fiz aqui no blog cinco comentarios sobre o equivocado modela de capitalização da Petrobrás que levaria à desvalorização da empresa como player mundial, situação que brilhantemente tinha atingido antes dessa malfadada e desnecessaria ""capitalização"";

O modelo foi ruim porque a PETROBRAS era até então vista como um grande player global com governança corporativa de alto nivel, no mesmo nivel igual às majors como Exxon, Chevron, Toral, Repsol e Shell, muitos nem lembravam que era uma empresa controlada pelo Estado brasileiro.

A chamada "capitalizaçã" não serviu a nenhum proposito estrategico, os objetivos foram ideologicos, de certa visão estatizante do nucleo planaltino. Era desnecessaria porque:

rong>1-Uma grande empresa de petroleo tem espaço de captação continuo no mercado mundial. Quando a Shell precisa de recursos ela não faz uma "capitalização" espetaculosa, não precisa disso, ela simplesmente emite ações na quantidade necessaria, sem ruidos, se a empresa vai bem sempre encontrará compradores. Quem ja ouviu falar dessa fanfarra com capitalização da Exxon ou da Chevron?

2-Uma empresa de petroleo não precisa de todo dinheiro de uma só vez, os desembolsos em investimentos são escalonados, há abundancia de oferta de financiamentos para plataformas, navios e refinarias.

3-O aumento da participação estatal na Petrobrás foi um desastre. Queimou a ficha da empresa até então vista como um player privado, o controle do estado brasileiro passava despercebido porque a governança da empresa era vista como profissional.

4-Quem tomou essa decisão para esse modelo de capitalização provavelmente não  entende nada de mercado global de capitais porque o modelo caminha na direção contraria ao mercado global.

5-Quem caminha contra o mercado sai dele, esta ai a PDVSA que em circunstancias normais poderia captar o que quisesse e hoje está sem acesso a qualquer fonte de recursos, a não ser ao capital chines, o mais extorsivo do mundo.

Quase todos os analistas independentes chamaram a atenção para  esses fatores, a imprensa brasileira fez um mediocre trabalho de analise dessa capitalização, saudada ridiculamente como "" a maior da historia do capitalismo"", confundindo o que era captação real dos minoritarios com a mera operação contabil de incorporação de barris teoricos da União ao capital da empresa, isso nunca poderia ser considerado um processo verdadeiro de tomada de recursos do mercado, se a PDVSA incorporasse  as reservas do Orinoco poderia aumentar seu capital 200 vezes, não é real, é um mero jogo de papel.

Mas a pa de cal foi usar a "capitalização" como palanque, ai queimou mesmo.

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Paulo Cezar

Sr. Araújo,

Mais uma vez o senhor esta equivocado. A Capitalização era necessária para alavancar a capacidade de endividamente da empresa e evitar que ela perdesse o grau de investimento, além de captar recursos para o ambicioso plano de investimentos, que diga-se de passagem é superior aos planos de Exxon ou Shell.

Exxon e Shel são empresas privadas e emitem ações quando querem realmente. A Petrobras é uma empresa de economia mista e o governo brasileiro tem interesse estratégico em manter seu controle acionário, deste modo não pode emitir ações como Exxon ou Shell.

Apesar de serem privadas Exxon e Shell executam estratégias de ação em consonância incrivel com as politicas e estratégias de seus países de origem, o que sugere que há sim uma ligação entre as empresas e os governos de seus paises sede, apesar de essa ligação não estar relacionada ao controle acionário. Pelo menos não de maneira explicita.

O Brasil não pode se dar a esse luxo. O caso da Vale é emblemático , hoje a estratégia de desenvolvimento do país esta totalmente descolada da estratégia de negócios da Vale e o governo pouco pode fazer para alterar a situação.

Não podemos nos dar ao luxo de separar a Petrobras de nossas politicas de desenvolvimento, os investimentos da Petrobras estão intrinsicamente ligados ao projeto de desenvolvimento do país ( de maneira semelhante as empresas chinesas com o projeto desenvolvimentista da China ), projeto esse coordenado pelo estado e pensado para desenvolver o país, e não apenas gerar lucro máximo no curto prazo. E num contexto de exploração maciça de uma "commodittie" isso é extremamente delicado, pelo risco de desindustrialização envolvido.

Deste modo concluo reafirmando a importância da capitalização, importância essa que vai além de dogmas liberais que denigrem o controle estatal. Importante porque possibilitará o levantamento de recursos sem perda de controle estratégico do estado e além disso permitirá que o estado angarie uma parte maior dos dividendos gerados pelos lucros da empresa.

Além disso a queda das ações não esta de maneira nenhuma ligada a desconfianças sobre a governança, que lhe garanto continua a mesma, e não haveria porque mudar  ja que é benchmarking para outras estatais , esta ligada sim ao aumento da quantidade de ações e as mesmas dúvidas de sempre sobre o preço do barril futuro e o custo do petróleo nas profundezas do pré sal.

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Andre Araujo

Meu caro Paulo Cezar, parabens pela acuidade de sua analise. Minhas observações>

1.A União não manteve apenas o controle que ja detinha mas aumentou sua participação.

Qual a estartegia desse movimento? Se não há, ela gerou a sinalização de que a Petrobrás fica mais estatal do que antes e esse não é um bom sinal para o mercado.

2.O Estado brasileiro tem todo o direito de transformar a Petrobras em totalmente estatal, como a PDVSA, a PEMEX, a PetroPeru, a Ecopetrol da Colombia, a Aramco da Arabia Saudita, a Sonangol, de Angola, a NIOC do Irã, a Kuwait Oil, a Sratoil da Noruega. Mas se a opção e para ter uma empresa com acesso ao mercado global de capitais, a estrategia é outra. Nesse caminho estão a Sinopec chinesa e a Gazprom russa. Para acessar o mercado os movimentos precisam levar em conta os modelos mais premiados por esse mercado. E o modelo que foi usado não gera esse premio, foi uma operação ruim, mal desenhada, mal explicada e com um tom palanqueiro incompativel com uma empresa que pretende crescer conectada ao mercado global de capitais.

3.Exxon e Shell não seguem politicas nacionais hoje em dia. São empresas realmente globais,

 

operam sob a logica global, detem poucas reservas, são mais operadoras upstream, petroquimicas. Mesmo no passado, por exemplo, a Shell não era uma empresa que operava para os interesses do estado inglês. Na decada de 30 a Shell ligou-se muito à Alemanha do terceiro Reich, a tal ponto que seu CEO, Sir Henry Deterding ficou muito mal visto pelo governo britanico, passou inclusive a residir na Alemanha. A Exxon, sucessora do grupo Standard Oil teve uma longa historia de embates com o Governo dos EUA, a começar pelo desmembramento do grupo em 1905, em seis companhais. Não é uma comapnhia identificada com o governo dos EUA. Já a Total, sucessora da Cie.Française des Petroles e a Repsol são empresas-bandeiras de seus paises. Cada caso é um caso.

4.Considero o modelo dessa capitalização errado. Seria melhor um programa de quatro ou cinco tranches de US$5 a 7 bilhões cada de captação liquida, a União manteria sua paridade com a incorporação de barris em escala proporcional.

5.Finalmente, não acho de forma alguma apropriado o uso politico, que foi feito em larga escala, do processo de capitalização, com Lula indo à bolsa, vestindo jaleco, não cabe ao Presidente da Republica misturar Estado com bolsa, vc não verá dirigentes chineses fazerem isso, no mercado ser discreto ganha premio, quanto menos fanfarra melhor, é preciso convencer os analistas e os operadores e não o palanque, que não cabe nesse cenario.

6.Finalmente, no caso Vale, a atual gestão multiplicou por 25 vezes seu valor de mercado, os impostos pagos são dezenas de vezes maiores do que antes da privatização, a companhia opera sob a logica de mercado e há fortes boatos de troca da atual gestão porque o CEO Roger Agnelli demitiu 2.00 empregados no começo da crise. A obrigação de um CEO é zelar pela companhia, ele fez o que a logica do mercado então exigia. A troca por um CEO mais submisso ao  Palacio vai fazer a companhia perder valor de mercado.  Quem perde? O BNDES, grande acionista, a Previ, acionista maior ainda, no fim o Brasil.

As companhias chinesas que vc mencionou operam rigorosamente sob a logica de mercado,

até de forma exagerada. Elas estão sim a serviço do Estado chines mas DENTRO dos mecanismos do mercado e não contra ele. Os chineses consideram que quanto mais bem sucedidas essas empresas mais a China ganhará com esse sucesso.

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Paulo Cezar

Ola André,

Meus comentários a suas observações :

Meu caro Paulo Cezar, parabens pela acuidade de sua analise. Minhas observações>

1.Qual a estartegia desse movimento?

A estratégia ao meu ver é aumentar os dividendos a que a união terá direito.

2.O Estado e  mercado global de capitais.

A Petrobras tem uma governança premiada apesar de ser estatal.  O fato da participação do estado ter aumentado esta totalmente desconectado da governança, que continuará a mesma.

Antes o sócio majoritário ja nomeava o presidente e diretores e continuará fazendo. Sem mudança alguma.

O fato é que os quadros da Petrobras são profissionais é há um limite que aceitamos para ingerências politicas.

A avaliação majoritária na empresa é que o desenvolvimento do país é positivo para os objetivos da empresa, pois se trata do nosso principal mercado. Assim os planos estatais estão alinhados aos empresariais.

Como não há perspectiva de mudança na governança, não vejo perspectiva de mudança dos planos de financiamento no mercado de capitais.

A capitalização foi realmente divulgada com viés politico, porém acredito que isto seja legitimo, uma vez que os louros devem ir para quem os merece.

3.Exxon e Shell não seguem politicas nacionais hoje em dia.

Pelo contrário.

http://www.ionline.pt/conteudo/31379-shell-e-exxon-mobil-vao-explorar-um-dos-melhores-campos-petroliferos-do-iraque

http://www.businessinsider.com/exxon-and-shell-bag-iraq-deal-to-produce-more-oil-than-nigeria-out-of-a-single-reserve-2010-1

Alias, pensar que Exxon Shell e outras são apenas empresas comuns é um  erro recorrente na história do petróleo... Um erro que muitas vezes não acabou bem para os paises envolvidos....

4.Considero o modelo dessa capitalização errado.

Como disse anteriormente, avaliou-se que a participação do estado na empresa era pequena dado o horizonte projetado, e a perspectiva de dividendos.

5.Finalmente, não acho de forma alguma apropriado o uso politico...

A Cesar o que é de Cesar....

O presidente deve sim capitalizar politicamente seu apoio a Petrobras, até para contrabalancear com a posição de seus adversários, que nunca adotaram politica de valorização da empresa.

6.Finalmente, no caso Vale, a atual gestão multiplicou por 25 vezes seu valor de mercado, os impostos pagos são dezenas de vezes maiores do que antes da privatização, a companhia opera sob a logica de mercado e há fortes boatos de troca da atual gestão porque o CEO Roger Agnelli demitiu 2.00 empregados no começo da crise. A obrigação de um CEO é zelar pela companhia, ele fez o que a logica do mercado então exigia. A troca por um CEO mais submisso ao  Palacio vai fazer a companhia perder valor de mercado.  Quem perde? O BNDES, grande acionista, a Previ, acionista maior ainda, no fim o Brasil.

A Vale aumentou seu valor de mercado e Petrobras também.

A Vale no entanto ajuda muito pouco na politica de desenvolvimento brasileira. Ela efetivamente exporta empregos e criação de valor para a China.

A perda de valor acionário não se reflete em prejuizo direto. Mantendo-se a governança e os bons resultados o valor das ações voltaram a um patamar elevado. O mercado acionário é altamente especulativo , porém raramente se nega a adimitir realidades.

As companhias chinesas que vc mencionou operam rigorosamente sob a logica de mercado,até de forma exagerada. Elas estão sim a serviço do Estado chines mas DENTRO dos mecanismos do mercado e não contra ele. Os chineses consideram que quanto mais bem sucedidas essas empresas mais a China ganhará com esse sucesso.

Elas operam sob a lógica do mercado, porém sempre com o viés do desenvolvimento nacional. Por isso estamos vendo cada vez menos exportações de produtos primários pela China. Eles estão efetivamente agregando valor lá, e gerendo emprego , renda e PODER lá.....

A Petrobras por exemplo operou sob a lógica de mercado sob FHC e hoje também opera. Isso não mudou. O que mudou foi o viés de suas ações, agora alinhados com a politica de desenvolvimento governamental.



Escrito por Paulão às 13h38
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As mudanças expressas em gráficos

 

 

 

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Escrito por Paulão às 16h34
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DEBATE DE ALTO NIVEL 2 - UNICAMP

Mitos Tucanos 2

Ricardo Carneiro

(Professor Titular do Instituto de Economia da UNICAMP)

 

            Embalados pela campanha eleitoral, os tucanos resolveram ressuscitar um tema polêmico: o das privatizações da era FHC. A tese é a de que elas foram benéficas à economia e ao povo brasileiro e precisam ser defendidas. Os argumentos têm sido poucos e simplistas, recorrendo-se amiúde à ampliação do número de telefones celulares como exemplo do sucesso das privatizações. Claro, esse é o segmento no qual os resultados mais aparecem em grande medida, impulsionados pela revolução tecnológica havida no setor. Contudo, a questão é bem mais complexa e envolve variados aspectos. No balanço dos prós e dos contras esses últimos se impõem na maioria dos casos. Vejamos um deles, o dos preços dos serviços.

            Não se pode afirmar que a qualidade dos serviços nas empresas privatizadas melhorou de forma generalizada – a lembrança do apagão é indelével. Porém, mesmo que isto fosse verdadeiro haveria que se considerar o que ocorreu com os seus preços. O gráfico abaixo traz as informações relativas à evolução do índice amplo de inflação e dos preços administrados. Esses últimos envolvem um conjunto variado de serviços*, cujo peso no IPCA é de cerca de 30%. Desses, o conjunto produzido pelas empresas privatizadas abrange 15% do índice ou metade do total respondendo assim por uma parcela significativa da variação de preços no Brasil.

            Os dados do gráfico são impressionantes e mostram uma verdadeira revolução nos preços relativos. Ao longo dos últimos quinze anos houve um significativo encarecimento dos bens e serviços públicos: para o período como um todo, enquanto a inflação geral ao consumidor foi de aproximadamente 150% acumulados, este sub-grupo subiu o dobro, cerca de 300%.  Esses números apenas traduzem o que é sentido no dia a dia pelo cidadão: o peso no orçamento dos pagamentos das contas de luz, água, telefone, pedágio, etc.

            Há ainda nos dados do gráfico um aspecto que merece ser destacado. O grande aumento de preços relativos, ou o encarecimento desses bens públicos ocorre durante os anos 1996 a 2002. A recomposição tarifária imediatamente antes e após as privatizações e as regras de indexação das tarifas por um índice de preços que reflete com maior proximidade a variação do dólar (o IGP-DI), foram os responsáveis por essa trajetória.

O Governo Lula herda esses contratos, mas logra obter um melhor resultado na evolução desses preços, por uma negociação dos seus termos, nas suas revisões periódicas, mais favoráveis ao cidadão. Isto para não falar da administração de preços cruciais como os dos combustíveis, que tiveram no passado recente uma alta significativa decorrente do contexto internacional favorável. Ou seja, prevaleceu no Governo Lula, a despeito da herança recebida, uma gestão que colocou os interesses da cidadania em outro patamar.

 




* O índice de preços administrados engloba: IPTU, taxa de água e esgoto, gás de bujão, gás encanado, energia elétrica residencial, ônibus urbano, ônibus intermunicipal, ônibus interestadual, ferry-boat, avião, metrô, navio, barco, táxi, trem, emplacamento e licença, pedágio, gasolina, álcool, óleo, óleo diesel, plano de saúde, cartório, jogos lotéricos, correios, telefone fixo, telefone público e telefone celular.



Escrito por Paulão às 14h27
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O 'delito' de opinião de Maria Rita Kehl

Maria Rita Kehl confirma demissão

Por Bruno de Pierro
Do Brasilianas.org 

A psicanalista Maria Rita Kehl não escreverá mais para o jornal O Estado de S. Paulo. A decisão foi tomada na última quarta-feira pelo jornal, segundo informou Kehl para a reportagem do Brasilianas.org.

A publicação do artigo "Dois Pesos...", no último sábado (2), pelo qual denunciou a desqualificação dos votos das classes C e D, foi o motivo do desligamento, principalmente depois que os boatos de que seria demitida tomaram espaço em redes sociais e blogs na Internet.

Assim que soube da possibilidade de demissão, a psicanalista tentou negociar com a editora do Caderno 2, sugerindo que passasse, então, a escrever mais sobre psicanalise e menos sobre política, apesar deste tema atrair muito o interesse dela.

De acordo com Kehl, é provavel que alguém da redação tenha ouvido a conversa entre elas e divulgado que o jornal voltaria atrás em sua decisão, dando esta condição à colunista. Com isso, a polêmica ganhou forma. "Tenho a impressão de que o jornal acha que eu é que repercuti a conversa na Internet", afirma.

Kehl explica que o jornal nunca interferiu no conteúdo de seus textos, mas se diz surpresa pelo fato da decisão ter sido tomada sem uma conversa prévia sobre o artigo. Mesmo assim, ela acredita que a medida não teve interferência direta de algum político ou partido, apesar do caráter político.

"Não defendi programa de governo. Dizem que quando o pobre vota por uma causa, é porque o voto está comprado. Foi sobre isso que escrevi", explica. 

Do Terra Magazine

Maria Rita Kehl: "Fui demitida por um 'delito' de opinião"

Bob Fernandes

A psicanalista Maria Rita Kehl foi demitida pelo Jornal O Estado de S. Paulodepois de ter escrito, no último sábado (2), artigo sobre a "desqualificação" dos votos dos pobres. O texto, intitulado "Dois pesos...", gerou grande repercussão na internet e mídias sociais nos últimos dias.

Nesta quinta-feira (7), ela falou a Terra Magazine sobre as consequências do seu artigo e o motivo de sua demissão:
- Fui demitida pelo jornal o Estado de S. Paulo pelo que consideraram um "delito" de opinião (...) Como é que um jornal que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?

Leia abaixo a entrevista.

Terra Magazine - Maria Rita, você escreveu um artigo no jornal O Estado de S.Paulo que levou a uma grande polêmica, em especial na internet, nas mídias sociais nos últimos dias. Em resumo, sobre a desqualificação dos votos dos pobres. Ao que se diz, o artigo teria provocado conseqüências para você...
Maria Rita Kehl - E provocou, sim...

- Quais?
- Fui demitida pelo jornal O Estado de S.Paulo pelo que consideraram um "delito" de opinião.

- Quando?
- Fui comunicada ontem (quarta-feira, 6).

- E por qual motivo?
- O argumento é que eles estavam examinando o comportamento, as reações ao que escrevi e escrevia, e que por causa da repercussão (na internet) a situação se tornou intolerável, insustentável, não me lembro bem que expressão usaram.

- Você chegou a argumentar algo?
- Eu disse que a percussão mostrava, revelava que se tinha quem não gostasse do do que escrevo, tinha também quem goste. Se tem leitores que são desfavoráveis, tem leitores que são a favor, o que é bom, saudável...

- Que sentimento fica para você?
- É tudo tão absurdo...a imprensa que reclama, que alega ter o governo intenções de censura, de autoritarismo..

- Você concorda com essa tese?
- Não, acho que o presidente Lula e seus ministros cometem um erro estratégico quando criticam, quando se queixam da imprensa, da mídia, um erro porque isso, nesse ambiente eleitoral pode soar autoritário, mas eu não conheço nenhuma medida, nenhuma ação concreta, nunca ouvi falar de nenhuma ação concreta para cercear a imprensa. Não me refiro a debates, frases soltas, falo em ação concreta, concretizada. Não conheço nenhuma, e, por outro lado..

- ...Por outro lado...?
- Por outro lado a imprensa que tem seus interesses econômicos, partidários, demite alguém, demite a mim, pelo que considera um "delito" de opinião. Acho absurdo, não concordo, que o dono do Maranhão (Senador José Sarney) consiga impor a medida que impôs ao jornal Estado de S.Paulo, mas como pode esse mesmo jornal demitir alguém apenas porque expos uma opinião? Como é que um jornal que está, que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?

- Você imagina que isso tenha algo a ver com as eleições?
- Acho que sim. Isso se agravou coma eleição pois, pelo que lês me alegram agora, já havia descontentamento com minhas análises, minas opiniões políticas.



Escrito por Paulão às 12h39
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UNICAMP DESMENTE ARGUMENTO TUCANO

Mitos Tucanos 1
Ricardo Carneiro
(Professor Titular do Instituto de Economia da UNICAMP)
Os dados relativos ao desempenho da economia brasileira diante das crises
internacionais que constam do documento da ABDIB “DOIS ANOS DEPOIS: O
impacto da crise financeira no PIB, nos investimentos e na produção de
bens de capital” põem por terra uma das mais caras teses tucanas, a de que o
crescimento econômico foi medíocre durante a era FHC por conta dessas crises.
Nunca é demais lembrar que o PIB cresceu em média 2% a.a na era FHC contra 4%
a.a. na era Lula.
Como se pode ver nos dois gráficos abaixo, a crise de maior impacto foi a de
2008, como seria de esperar, pois ela é sabidamente a maior crise do capitalismo
desenvolvido desde a Grande Depressão.. Mas, dada a sua intensidade, chama a
atenção a rapidez com a qual a economia brasileira se recupera: tanto no PIB
quanto no investimento, são apenas dois trimestres de queda seguida de
recuperação com o nível pré crise sendo atingido em pouco mais de um ano no caso
do PIB e em um ano e meio no do investimento. A amplitude e sucesso da política
anticíclica posta em prática pelo Governo Lula são, à luz desses dados,
indiscutíveis. O uso adequado da política econômica, com menor importância da
política cambial, fiscal e monetária mas com apelo maior à política creditícia por
meio dos bancos públicos, jogou um papel decisivo.
Em contraste com a crise de 2008, tanto a crise da Ásia quanto a crise
sucedânea da Rússia têm efeitos bem menos relevantes sobre a economia
brasileira. Assim, a crise da Ásia que se inicia no quarto trimestre de 1997, faz
declinar o PIB em 2% apenas em um trimestre, com impacto quase nulo no
investimento. Na seqüência, a crise da Rússia tem efeito menos pronunciado ainda
sobre o PIB, embora mais intenso duradouro sobre o investimento. De qualquer
modo, a recuperação do Investimento se faz após quatro trimestres do início da
crise e de maneira muito lenta a despeito da melhoria das condições internacionais,
e da mudança do regime cambial. Aliás, cabe recordar que a retomada do
crescimento observada em 2000 (um ano e meio após a crise) é interrompida, em
2001, pelo apagão. Diante desses fatos as conclusões são inescapáveis: fatores
domésticos, dentre eles a política econômica posta em prática na era FHC foram
muito mais importantes para explicar o medíocre desempenho da economia
naquele período do que fatores internacionais.



Escrito por Paulão às 10h33
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Os investimentos em fertilizantes da Petrobras



Escrito por Paulão às 15h18
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